A Janela

Prédios, luzes,
Árvores, folhas a balançar.
Carros a trafegar.
Uma brisa lavada toca-me a pele.
Penso em  Ti.
Flutuas em meus pensamentos.
Diante de min, teu rosto.
Vejo alegria!
Minha imagem surge junto a tua.
Tristeza!
Lagrimas surgem.
Um choro sofrido.
O amor destruído.
Palavras ditas, ações.
Meus pensamentos me perturbam.
O ciúme domina a razão.
No silêncio da madrugada,
A solidão domina também as ruas.
Volto-me ao interior de meu quarto,
Você está em todos os cantos.
Fotos decoram as paredes.
Não posso te perder.
E com esta certeza,
Volto à realidade.
Não posso viver sem ti,
Pois só o teu amor me fará feliz.


Paixão

Marcando uma etapa de minha vida,
A solidão agora, não é mais presente.
Resplandece o sol com fulgor,
Contrastando com minha paixão.
Iniciada através de algo.
Amor? Sim, o amor é este algo que me consome.

Como posso amar tanto alguém?
Há! Deve ser por sua beleza...
Interessa-me saber porque,
Sorriso, meiguice, isto como qualidades
Ti gosto, é só o que meu coração diz.
Entre tantas, uma só, só por uma me apaixonei.


Amizade

Sentimento de afeição, estima.
Bondade e benevolência infinda.
Surge por acaso, ao acaso, penetra na alma
Como luz contamina, seduz.

Sentimento inclinado,
Carregado de alegria, afeto.
Apreço, consideração
Avaliação de estreita relação.

Amizade sentimento nobre
Que não tem nada de pobre.
Raciocínio fugaz,
Que a mente percorre.

Amigo, Aliado, Caro, complacente, dileto.
Favorável, dedicado, afeiçoado,colega.
Companheiro, Amador, Amante, defensor.
Protetor amicíssimo.

Definições. Soltas definições
Em papéis impregnadas,
Fixadas para adiante levar
Sentimento profundo.

Amizade, o cantar da alma
Para encantar os ouvidos.
Alegrar os espíritos
E manter o amor.

Apiúna

Sobre a proteção da montanha negra,
As margens do rio e do ribeirão,
Os imigrantes encontraram
Uma grande aldeia.
Bugerbach! Bugerbach!
Os botocudos assustados, dali afastados.

Do trabalho na terra,
As chaminés das indústrias, um passo.

A ganância, a luz não iluminou.
O abandono, a escuridão cerrou.
Da riqueza a pobreza,
Pequeno caminho se fez.
A grande estrada!
Novos horizontes, um novo caminho.

Mas o perdido não mais retorna,
O progresso agora demora.
Seus filhos iluminaram seu nome.
Cabeço Negro! Cabeço Negro!
Apiúna se houve longe.

As vezes nos sentimos sós

As vezes nos sentimos sós.
 Não ouvimos - falamos - sentimos - vemos.
Estamos paralisados, inertes.
A reação vem da alma:
Porquê ninguém nos ouve - vê - senti?

Estamos ali, cadê todos?
E numa reação muscular caminhamos por entre pedras e
espinhos as segas, sem luz.
A dor do momento traz nova reação. Passamos a ver.
Enxergamos que por onde passamos havia um caminho de luz e
flores sem qualquer pedra ou espinho.

Todos nos olham. Ninguém nos ouve. Ninguém se aproxima.
Passamos então a ouvir. O som das palavras do canto.
Palavras desconexas comentários. Não somos sequer notados.
Então num esforço imenso quão intenso passamos a falar.
As palavras traduzem nossos sentimentos.
Somos notados, ouvidos, vistos.
Num gesto de carinho nos aproximamos e tocamos.
E então a magia se completa passamos a ouvir o coração.

Daquele momento em diante descobrimos que jamais deixaram
de nos ver - ouvir - sentir.
Que jamais fomos sozinhos.


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