Perverso

     A política proporciona fatos hilariantes, e deixa um pouco mais ameno o clima das eleições.
     Em uma certa campanha, durante um comício, um candidato a Prefeito discursava:
     “Esta comunidade esta bem representada nesta campanha, pelo candidato a vereador do nosso partido, o senhor Erminio. Por que o seu Erminio é um homem perverso.”
     No exato momento em que o candidato citou a palavra “perverso” recebe um pequeno chute no calcanhar, dado pelo presidente do partido. O candidato reagiu imediatamente e disse:
     “Perverso sim, e por que não dizer perverso...”
     Este comício ficou marcado como o dia em que “perverso” virou sinônimo de qualidade humana, sinônimo de perseverante.

Filho do Bode

      Durante uma campanha política, em uma comunidade denominada “Bode”, os candidatos discursavam tentando atrair os votos dos cidadãos locais.
      O candidato a prefeito assim se dirigiu aos eleitores:
      - Nasci nesta terra, sou filho desta comunidade. A dona Cecília, mais conhecida por Ceci, foi minha professora, durante muitos anos deu aula para mim. Dona Ceci, pessoa ilustre que é, pode lhes dizer do meu caráter e do respeito que tenho por esta comunidade...
      Foi  um longo, mas muito longo discurso.
      Lá pelo final do comício, todos já cansados, mas ainda faltava o representante da comunidade e candidato a vereador, que assim proferiu:
      - ...eu também sou filho do bode, a dona Ceci? A Dona Ceci também deu durante muito tempo pra mim. Todos me conhecem e por isso peço o voto, e quero “aproveitá“ para “inconvidá” todos para uma festinha quando me “Elegê”.

Lei Federal

       Certa vez dois políticos acompanhavam a análise de um projeto para o bem do povo. O vereador, o mais votado da época, orgulhoso por ali estar representando seu eleitorado -  o outro  colocando toda sua força política para que o projeto fosse em frente e trouxesse melhorias na qualidade de vida do seu povo.
       Lá pelas tantas o engenheiro comenta aos dois: - Temos um pequeno problema - aqui nesta localidade a água não chegará devido a altitude e a lei da gravidade. Rapidamente o vereador argumenta:
        - Não tem problema não Doutor, nós temos maioria na Câmara e mudamos essa lei fácil - fácil. O outro  todo sem jeito pelo absurdo cometido pelo vereador, cutuca com o cotovelo e fala ao pé do ouvido:
        - O seu burro - Tu não vê que essa lei é uma  lei federal!!!”
       Se é verdade não sei, mas que comentam  - comentam... 

OVNI...

       Numa quente noite de domingo, um dia de outono do início da década de setenta, algo muito estranho e inexplicável aconteceria.
      Como era costume na cidade, os habitantes reuniam-se em frente a suas casas, observando o movimento e refrescando-se, aproveitando assim para colocar em dia os pequenos comentários. Alguns que no interior residiam,  aproveitavam a hora mais fresca para dirigirem-se à suas casas.
      Eram sete horas e quarenta e cinco minutos (7:45h), na penumbra da noite, tendo apenas como testemunhas os sapos a coaxar, os grilos a cricrilar e as estrelas silenciosas a observar, uma luz movimentava-se montanha acima.
      Um veículo pequeno, um jeep, deslocava-se na estrada poeirenta. O ruído de seu motor ecoava por entre as montanhas. Seus quatro ocupantes cansados e sonolentos balançavam ao movimento dos solavancos da estrada esburacada.
      Uma luz forte e gigantesca desloca-se lentamente saindo do chão, subindo e pairando estática sobre a mata em frente à casa abandonada onde se encontrava.  Surpresa, enorme susto, o medo do desconhecido domina, gotas de suor, frias, deslocam-se sobre a pele de todos.
      O motorista num misto de surpresa e medo acelera o veículo num ritmo perigoso, devido à estreita estrada. A luz? A luz acompanha o veículo a uma pequena distância no mesmo ritmo do jeep. O condutor decide brecar o veículo.  A gigantesca claridade reage da mesma forma.
      Agora o desespero tem domínio sobre o consciente. Não pode haver riscos para a família, pensa assim o motorista que acelera sem piedade aquele pequeno veículo que se desloca alucinadamente pela barrenta estrada.
      Que sorte, aproximam-se as luzes de um pequeno aglomerado de casas. A gigantesca luz muda a trajetória e repentinamente some no horizonte. Automaticamente o pé diminui a pressão sobre o acelerador, os corações ainda batem acelerados, a respiração é ofegante.
      Chegam em casa, silenciosos, não comentam o assunto.
      Recolhem-se aos seus leitos, a noite é de pouco sono e muitos pesadelos. Suas vidas jamais seriam as mesmas.
      No dia seguinte, na localidade vizinha comentava-se pelo acontecido, uma mulher grávida tinha passado mal, o motorista do único ônibus, que para ali fazia linha, teria se assustado e muito. Na sede do distrito várias pessoas teriam visto tal objeto voador não identificado, exatamente às oito horas da noite (8:00h). Os jornais também anunciaram tal visão na cidade de Maringá no Paraná por volta das oito da noite.
      Durante semanas o assunto foi quase que proibido e foi sendo levado ao esquecimento.
      Esquecido por todos?
      Não por aqueles quatro passageiros e suas testemunhas: os sapos, grilos e as estrelas. Estes jamais esquecerão... 

Pega ladrãooo...

       Noite de luar, época que a imagem da tv ainda não visitava as casas das comunidades interioranas. Tudo era motivo para garotos, adolescentes ainda, perambularem pelas ruas poeirentas, fugindo do calor, e gastarem o pouco de energia restante das traquinagens do dia.
       Reuniram-se quatro amigos e saíram a perambular cochichando um com o outro. Diante de uma roça de melancia, questionaram: - porquê não  podemos  pegar uma bem madura para saborearmos juntos? Naquela escuridão o que conseguiram foi estragar várias, pois não localizavam as maduras, desistiram.
       Lá pelas tantas mudaram de estratégia. Um dos garotos questiona: - Por que não vamos lá em casa, pegamos uma galinha lá do galinheiro e assamos  no espeto?
       Todos os quatro toparam e  seguiram juntos até o galinheiro. Chegados ao local da traquinagem adolescente, começaram a executar o pequeno furto. Eis que de repente...- o garoto filho do dono da casa chuta um monte de latas,  que causou grande barulho, e grita: - Pega ladrãooo...- O proprietário abre a janela empunhando uma espingarda, causando grande alvoroço. Os  garotos dispararam pelo pasto afora correndo como malucos. Um deles despencou numa vala de esgoto, outro atirou-se entres os arames da cerca escapulindo  e o terceiro vai ribanceira do rio abaixo. Que susto passaram.
       Estes garotos, hoje  pais zelosos,  educam seus filhos para serem respeitadores e seguirem o caminho, se não perfeito, mas próximos da perfeição.
       Será que já esqueceram o susto?
       Pega ladrãooo...

Uma Noite no Cemitério

    No início da década de setenta surge em Apiúna a primeira quadra de futsal. Crianças, jovens e adultos passam  todas as noites a freqüentarem o espaço, hoje quadra da Escola de Educação Básica São João Bosco.
      Uma certa noite, dois garotos, na época 10 ou 12 anos, lançaram após uma conversa macabra, um desafio: queremos ver quem tem coragem de ir até ali no cemitério no escuro? Os demais garotos se olharam pensativos - “Apiúna ainda não contava com sistema de iluminação pública como hoje, as ruas eram super escuras e o cemitério, nem pensar”. Os “corajosos responderam firmementes: - Eu tenho, tranqüilo, mas só amanhã, hoje já está tarde e não posso chegar atrasado”.
      Ficou combinado, no dia seguinte noite de lua nova era o dia. Todos iriam ao morro do cemitério demonstrar sua bravura.
      Os dois desafiantes, hoje pais de família, incentivados por um certo sapateiro providenciaram tudo: lençol, lata com fio envolvido com breu, fio de náilon para ficar invisível.
      Chegou a hora. Era inverno. Escurecia cedo. Oito horas, noite sem lua, a escuridão era imensa. O cortejo dos corajosos tem início. Cantando ou conversando em alto tom seguem o caminho para espantar, quero dizer, demonstrar coragem.
      Os dois malvados seguem caminho mais curto sem serem notados. Quando aquele cortejo ao topo do morro chega, com desconfiança caminham até a beirada do morro para verem a quadra iluminada, lá em baixo. Desconfiado um dos garotos comenta a outro: - tem algo se movendo ali naquele lado.  Não é nada diz o outro já preocupado e todos se dirigem ao local quando de repente um uivo, o fantasma, a alma se mexe em meio aos arbustos. Alguns jogam pedras, mas quando a alma resolve vir em suas direções, conduzidas pelos fios de náilon, disparam morro abaixo. Foram tomados de cegueira momentânea e fora da estrada seguiram, levaram no peito e nas pernas os arames farpados das cercas que ali estavam para dividir a propriedade das freiras.
      Até hoje, a história, insistem em desmentir. Todos ainda não possuem medo de cemitério, mas guardam as marcas do arame farpado.


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